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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Memories in eixão #2 - Valdete

Valdete, empregada doméstica.

Mãe de cinco filhos. Esposa de um lavador de carros.

Moram em um barraco, onde mal cabem os poucos objetos que formam o patrimônio da família.

E ainda tem haver espaço para a “TV de 29” do Vandercleysson, esposo de Valdete.

Todos os dias, ela vive o luxo, quando está na casa de madames, e a miséria quando está em sua casa com os seus.

Eis que surge um novo inimigo, aliado as forças luxuosas, a TV DIGITAL.

Uma simples demonstração feita por um dos filhos “geeks” de sua patroa, é o suficiente para plantar em seu humilde ego: a vontade, o desejo, a necessidade de possuir algo de tamanha imponência.

Inebriada com a possibilidade de ver as novelas preferidas com uma qualidade excelente? Áudio incomparável?

Armazenar trechos de seus programas preferidos para assisti-los depois?

O que motiva esse interesse em um produto aquém de suas condições?

A publicidade, que é a arte de criar e vender vontades? Veremos.

Os mais próximos contam que Valdete sempre salientava as novas aquisições de seus patrões.

Tudo com uma riqueza de detalhes que impressionava.

Em conversas corriqueiras (dentro do ônibus, com os filhos, as vizinhas), ela não dominava muito bem a retórica. Nem deveria como ela mesmo afirmava, “conversa de povinho não é pra mim”.

A última notícia relatada por Valdete foi:

- Uma Tvzona desse tamanho oh! – palestrava no caminho de volta para casa.

- O menino da madame, fez uns trem lá, que parecia que eu tava dentro do filme. Coisa de gente importante viu? né pra qualquer uma não.

Cada semana era uma novidade.

Um “trem-de-fazer-qual-coisa-plus”, um eletrônico novo... e ao chegar em seu barraco, a insatisfação de ver sua TV (note que não estamos falando de qualidade de vida, e sim de qualidade de eletrônicos) com o bombril espetado na antena, motiva discussões com o esposo e os filhos.


Vandercleysson, cansado das “historinhas de madame”, como ele apelidara, e preocupado com o breve momento que tem para assistir sua “TV de 29”, dispara:

- ô meu bem, tem um cadinho de dó. Dexa de cunversa atoa. Tô vendo o jogo.

Com a deixa de Vandercleysson, Valdete tomada de fúria, caminha até a estrutura que mantém a televisão no alto, e com um golpe “segurança-de-boate”, K.O..

Está lá: mais um corpo estendido no chão, ops, uma TV.

Com um sorriso malicioso revelando ser premeditado o seu "crime", encara Vandercleysson:
- Não vai assistir é merda nenhuma nessa TV véia.

Resumo:
  • As Casas Bahia agradecem mais um carnê emitido.
  • Vandercleysson adorou assistir os replays do “verdão”. Ele ainda não sabe que os gigas de armazenamento não serão suficientes para seu mais novo passa-tempo;
  • Madame Valdete, continua no papeando no eixão, os filhos continuam a perambular pelas ruas, enquanto a TV Full HD, fica ao relento o dia todo.
PS: Novas informações revelam mais uma tentativa de melhorias por parte de nossa personagem.
A mesma cogitou um incêndio para forçar seu marido a mudar de barraco.
Não logrou êxito, pois não tinha dinheiro para os fósforos, já que a parcela é de R$ 299,00. O que responde a 40% da renda total da família, e mais oneroso que o aluguel do barraco.

Parafraseando uma blogueira: " Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência".

Aurélio Reis

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